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Alexandra Neto

Qua | 29.08.18

REPETIR PEÇAS É PECADO?

 

Há uns dias, no post das tendências, falei do facto de nem todos termos de usar "150 tendências" no mesmo mês. Porque, se julgássemos o mundo pelo que vemos no Instagram (não o façam em NENHUM aspecto), talvez seja essa a ideia que passa.

 

Mesmo que se repitam peças, o certo é que NÃO AS VEMOS repetidas. Porquê? Nunca percebi. Ainda no outro dia li no Who What Wear: "rewearing the same clothes is not a sin, it's true style"! 

 

Porque, é MUITO isto.

 

Ponto 1. Repetir roupa não é repetir o mesmo conjunto.

Ponto 2. Quem consegue repetir peças é, de facto, quem sabe o que faz.

 

 

 

Mas, again, não é de todo este o mood que se sente na rede social que, neste momento, domina tendências e estilo - o Instagram. De facto, basta um pequeno scrool por volta das 21h para ficarmos com a sensação de #WishList desactualizada (quando ainda nem sequer tínhamos pensado bem nas peças que poderíamos efectivamente comprar). E não é ver diferentes peças-tendência em diferentes pessoas. É ver um look com uma (ou mais) peças-chave num dia, a mesma coisa em "20 looks" no dia seguinte e "50" até ao final da semana. Todas com a mesma peça ou o mesmo conjunto, de preferência na mesma cor, na mesma semana. Na seguinte? Haverá mais, com certeza.

 

Isto, além de uma falta de personalidade tremenda, demonstra bem a velocidade a que o mundo anda (mesmo a real tendência sendo a oposta, mas isto demora a chegar a todas as freguesias). Mas não se sintam pressionadas, por favor. Vejam nestes perfis uma fonte de inspiração, uma montra bem feita (e lembrem-se que 80% das peças é oferecida, 15% é devolvida e apenas 5% é efectivamente uma compra).

 

 

“I love wearing things over and over again and putting a different spin on [an outfit]. I think it makes content more relatable if anything” 

 

Diz Anum Bashir (@desertmannequin) ao mesmo artigo do Who What Wear.

 

 

Aliás, não só a tendência Slow Fashion é o grande mood, como agora as grandes jogadoras da parada tentam (e nota-se) comprar cada vez mais vintage, mais marcas emergentes e, numa jogada ainda mais interessante, usar peças que já não estão disponíveis.

A prova disso foi exactamente umas sandálias da Mango (que estiveram imenso tempo em saldos) que começaram a aparecer em alguns perfis que sigo e que, vim a descobrir por um artigo algures, que estava a haver uma grande procura das mesmas - quando já não existiam! Já tinha acabado a época de saldos ou já estavam esgotadas (can't remember), e foi aí que aconteceu a febre. O mesmo com a saia leopard da Zara, que agora apenas pode ser encontrada num modelo bastante diferente do original.

 

 

Recapitulando: o Instagram é o que é. Uma montra bem feita (se seguirem pessoas com as quais se identificam e com um perfil cuidado), uma fonte de inspiração que tenta renovar-se (quase) a cada dia. Mas na vida real (e mesmo no Instagram), não só não há qualquer problema em repetir peças, como isso é um sinal indiscutível de um conceito que é muito aclamado mas pouco praticado - o tal "true style". 

 

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